Arquivo de ‘China’ Categoria
17/09/2008 - 10:19h
China is pop: mercado pirata de filmes e os VCDs
Encerrando a série de posts sobre a China, volto a escrever sobre o cinema daquele país. Os chineses adoram filmes. Tanto que a pirataria corre solta pelo país, em um nível muito maior que o do Brasil. Lá você pode comprar praticamente qualquer longa-metragem em versão “não oficial” – com capinha impressa profissionalmente e um DVD silver (daqueles gravados industrialmente).
A média de preços é entre oito e 10 yuans, uns R$ 2, R$ 2,50. Para tentar combater esse mercado, as distribuidoras adotaram um padrão que funcionou bem: o dos VCDs. Os filmes são vendidos oficialmente em CDs, que têm produção e custos mais baratos que os DVDs. Você pode comprar versões oficiais de filmes como Cidade de Deus por US$ 2.
A qualidade não é tão boa quanto a dos DVDs, mas é parecida com a dos downloads de internet. Aparentemente a tática funcionou: as lojas estão recheadas de VCDs e todos os lançamentos saem nesse formato.
Chinglish e venda no supermercado
A pirataria é tão descarada que você compra cópias piratas, em DVD, de filmes clássicos no supermercado local. E não em qualquer um, mas em redes grandes como a francesa Carrefour. Os filmes clássicos – supostamente “com direitos autorais expirados” – são o alvo principal.
Esses discos são vendidos por cinco yuans, mais ou menos R$ 1!
E é aí que entra a “esperteza”: mesmo que esses filmes não tivessem direitos autorais válidos, as edições feitas por outras empresas – incluindo restaurações, legendas e capas – teriam. Na China a lei é maleável. Dá para encontrar DVDs que têm a capa da norte-americana Criterion Collection, citando nominalmente a empresa, sem pudor.
“Eu evitaria esses piratas”, diz Jon Mulvaney, da Criterion, por e-mail. “Muitos pirateiros alegam estar vendendo ‘versões asiáticas’ da Criterion, mas nossos DVDs só têm direito de publicação na região 1, que é relativa aos EUA. Não há a menor chance desses discos serem oficiais.”
Entrando em lojas especializadas em filmes você também não tem dificuldades em encontrar coleções completíssimas de Charlie Chaplin, Marilyn Monroe, Ingmar Bergman, Alfred Hitchcock, Akira Kurosawa e uma infinidade de outros. Os DVDs e suas embalagens nem sempre são perfeitos, como mostra a imagem da capa de A King in New York, reproduzida abaixo.
Novidades
Durante os Jogos Olímpicos o governo conseguiu tirar das ruas os vendedores especializados em gravar os filmes no cinema e lançá-los no mercado negro dos DVDs piratas, mas logo depois Pequim voltou a ser o paraíso desse tipo de pirataria.
Um filme que ainda está em cartaz custa mais ou menos R$ 2. Pode ser um blockbuster norte-americano (o novo Batman é um favorito local) ou produções locais (Red Cliff, de John Woo – mesmo tendo ganhado DVD oficial enquanto o longa estava nos cinemas – foi vítima desse tipo de comércio).
Enviado por Paulo Terron
22/08/2008 - 08:38h
China is Pop: encerramento dos Jogos terá kung fu e Page
Depois de ter feito a abertura olímpica mais incrível de todos os tempos, o diretor de cinema Zhang Yimou já está causando expectativa quanto ao evento de encerramento. Quem viu um dos ensaios disse que vai ser um marco.
Pelo menos uma coisinha exclusiva eu sei: estive na escola de kung fu Shaolin Wu e a diretora me contou que mais ou menos 400 dos alunos dela estão ensaiando sem parar para a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos. Ou seja, Yimou deve retomar - mesmo que brevemente - o estilo que ele abordou em Hero, um de seus filmes mais famosos.
A grande festa será no domingo e terá participação da cantora Leona Lewis, que será acompanhada pelo guitarrista Jimmy Page.
Enviado por Paulo Terron
20/08/2008 - 08:12h
China is pop: 10 coisas que ninguém conta sobre as Olimpíadas
O assunto do momento é um só (fora os shows da Madonna no Brasil, claro): os Jogos Olímpicos. É jogador para cá, censura na China para lá… Então eu resolvi juntar 10 coisas que ninguém fala sobre os Jogos Olímpicos e sobre a China. Vamos lá:
10 - Não é tão comum assim ver os chineses comendo aqueles bichos estranhos, tipo grilo e escorpião. Eu só vi um restaurante que tinha escorpião no cardápio. Esse tipo de coisa era mais consumido na época em que a China era um país muito mais pobre, então eles tinham de consumir absolutamente qualquer coisa que desse. Tem um ditado que diz: “os chineses comem tudo que tenha quatro pernas e não seja uma mesa e tudo que tenha asas e não seja um avião.” Hoje você acha os espetinhos exóticos, mas eles são uma coisa para (turista) inglês ver;
9 - A comida é muito barata, mesmo nos lugares voltados para estrangeiros. Dá uma olhada nos preços de comidinhas no Ninho de Pássaro (para ter uma idéia do valor em Real é só dividir por quatro):
8 - Pequim não tem tanta construção antiga quanto você pensa. E as poucas que ainda estão de pé passaram por tantas reformas (algumas bem radicais) que não dá nem para considerar muito. Os chineses preferem derrubar o velho e construir algo novo - que nem sempre é mais bonito e nunca é mais interessante;
7 - Apesar de ter elevadores exclusivos, transporte gratuito pela cidade e lugares reservados, a imprensa quase não vai aos jogos. Os jornalistas só vão aos mais importantes mesmo. E, quando vão, ficam vendo por uma TV (que fica em uma mesinha, na frente deles) - sendo que eles têm os melhores lugares:
6 - Alguns jogos tem um público ridículo. Muitos lugares ficam vazios. No jogo do basquete feminino que eu vi ontem, por exemplo. Estados Unidos contra Coréia - e o ginásio estava às moscas. Nem parecia competição olímpica;
5 - Como a maior parte dos chineses tem uma estatura menor, as cadeiras dos estádios são apertadas;
4 - Os chineses são amistosos e estão sempre dispostos a ajudar - o que não quer dizer que você vai conseguir se comunicar com eles. Poucos falam inglês. Aí você diz: “Tudo bem, eu vou até os lugares e faço mímica, mostro os números com as mãos.” Uhn… Não. Até os números com as mãos são feitos de forma diferente. Você pode até chegar ao 3, mas depois disso vai sofrer. E eles escrevem tudo em ideogramas, claros, e a maior parte dos chineses simplesmente não entende a grafia ocidental;
3 - A programação da CCTV, o canal estatal da China, é muito chata;
2 - No rádio as pessoas só escutam novelas;
1 - Banheiro é banheiro em qualquer lugar. Então os das construções olímpicas também são tão sujos quantos os do Morumbi:
Enviado por Paulo Terron
19/08/2008 - 08:54h
CQC manda bem na China (mas escorrega no português)
O mandarim do CQC anda muito bom. Já o português…
Mancadas à parte, a cobertura dos Jogos Olímpicos está muito boa. Não conta para ninguém, mas está tudo no YouTube.
Enviado por Paulo Terron
12/08/2008 - 09:42h
China is pop: o mundo do cinema é aqui (parte 1)
Admito que eu era meio ignorante quanto ao cinema chinês até pisar aqui. Mas Hong Kong me salvou desse mundo de perdição (ou me jogou nele…). Minha principal barreira é que não gosto de filme de época. Achei O Tigre e o Dragão um saco, interminável.
Chegando a Hong Kong, novas portas se abriram. Primeiro que conheci Johnnie To, um daqueles diretores que faz você pensar “como é que passei tanto tempo sem ver os filmes desse cara?”. Recomendo Mad Detective (e estou doido para ver Sparrow, que sai em DVD no fim do mês).
Enfiando a fuça em várias lojas de DVD fui pescando muita coisa boa: os filmes de terror de Herman Yau (Ebola Syndrome!), o moderninho Pang Ho-Cheung… Então, chegando a Pequim, já estava com o preconceito derrubado, surrado, morto e enterrado.
Comprei vários filmes da base do “esse parece ser legal”. Tudo aqui é tão barato que dá para se dar a um luxo desses sem peso na consciência (um DVD que tenha acabado de sair não custa mais de 30 yuan, o que dá uns R$ 7,50 – os filmes mais antigos você acha por até R$ 1!). Claro que ainda não vi todos, afinal tenho construções da Dinastia Ming para visitar (e trabalho a fazer).
Voltando ao preconceito: como é que alguém que gosta de cinema pode ignorar um país que, em termos de produção de filmes, está lado a lado com os EUA e a Índia? Aqui tudo começou em 1905, quando o primeiro cinema da China exibiu The Battle of Dingjunshan - o primeiro filme produzido pelos chineses.
O prédio desse cinema ainda está lá, reformado, e fica na área de Dashilar, em Qianmen. Curiosamente, um dos filmes que estão sendo exibidos lá neste momento é Red Cliff, de John Woo. Esse longa-metragem é o mais caro já feito na China, com um orçamento de mais ou menos US$ 80 milhões.
Red Cliff tem uma história - olha só - que se passa na mesma época que a retratada em The Battle of Dingjunshan. E o ciclo se fecha.
E já que estamos no assunto, o filme de Woo foi quebrado em duas partes. A primeira já está nos cinemas e nas lojas de DVDs daqui, a segundo sai no começo do ano que vem. A versão internacional, que também deve ser lançada no comecinho de 2009, vai ser um resumão dos dois longas.
Não dá para falar de cinema chinês sem citar Zhang Yimou (de O Clã das Adagas Voadoras e Hero), o responsável pela abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. O evento foi tão bonito e tão elogiado que nem o diretor agüentou e disse: “Este tipo de performance em três dimensões é inédita no mundo. Talvez seja muito difícil reproduzi-la nos próximos dez anos. Se Londres [a próxima sede das Olimpíadas] quiser fazer desse modo, acho que não vai nos superar em tão pouco tempo.” Talvez seja por isso que o cinema chinês seja tão bom: confiança não falta.
*Nos próximos posts sobre cinema chinês: o mundo da pirataria chinesa e a paixão pelos VCDs.
Enviado por Paulo Terron
03/08/2008 - 09:24h
China is pop: saiba como é o clima pouco antes das Olimpíadas
Os chineses estão muito felizes com a chegada das Olimpíadas, mas nem tudo está tão tranqüilo quanto deveria estar. Olha só:
- A Interpol acha que pode haver ataques terroristas, incluindo a derrubada de um avião (CNN);
- Nem tudo está pronto em Pequim (The New York Times);
- O problema da poluição (CNN);
- “Jornalistas não estão acima das leis” (Xinhua News);
- Mascotes dos Jogos Olímpicos sofrem no calor de 35 graus de Pequim (South China Morning Post).
Enviado por Paulo Terron
01/08/2008 - 13:49h
China is pop: o Brasil também é pop (via CSS e Tropa de Elite) (atualizado)
A Time Out Hong Kong da primeira quinzena de agosto tem duas atrações brasileiras em suas páginas: o disco Donkey, do Cansei de Ser Sexy, e o filme Tropa de Elite. Brasil-sil-sil-sil. (mas também não somos tão populares assim: hoje uma chinesa me perguntou se o Brasil era “aquele bagulho de braço aberto em cima de um negócio”. Sim, o Cristo Redentor)
Para a revista, o CSS foi “esticado até o ponto de ruptura no ano passado”. E fala também que “o ex-empresário deles fugiu com todo o dinheiro deles”. Do lado mais positivo, a publicação diz que a música “Move” é uma mistura de Madonna com Talking Heads (mas diz que “Believe Achieve” parece um mantra da Jane Fonda). Donkey levou quatro (de seis) estrelas.
Já o longa-metragem de José Padilha foi detonado, levando duas das seis estrelas. Segundo a Time Out chinesa, o cineasta brasileiro “libera sua própria violência no filme em vez de fornecer um necesário comentário sobre a volência que ocorre” na tela. “Tropa de Elite chega perigosamente perto de se tornar propaganda fascista”, escreve o crítico Edmund Lee.
PS: mais uma coisinha sobre o Brasil na China - Gisele Bündchen na capa da Vogue local (de julho, mês passado). Só não me pergunte o que texto diz…
Enviado por Paulo Terron
31/07/2008 - 09:05h
China is pop: e a censura da internet em Pequim?
Uma das grandes discussões dentro dos Jogos Olímpicos de Pequim é: a internet vai ser livre? Normalmente o governo chinês bloqueia o acesso a sites que possam vir a publicar informações que não sejam interessantes para ele - notícias, blogs etc.
Pois bem, aqui estou eu em Pequim. Vou fazer um teste em tempo real para checar como anda a liberdade da internet por aqui. Vamos lá:
*BBC. Normalmente não é possível ler as notícias da estatal britânica. Veredito: a página em inglês demorou um pouco mais do que as outras, mas abriu normalmente. O mesmo com a página em chinês (mandarim, na verdade);
*Portais brasileiros. Parece que o conteúdo em português nunca foi bloqueado. Veredito: iG, G1, UOL e Terra abriram normalmente;
*CNN. A rede norte-americana tem criticado os chineses pelas restrições impostas à imprensa. Veredito: totalmente desbloqueado;
*South China Morning Post. Jornal de Hong Kong que não costuma ser censurado pela China. Veredito: nenhum problema no acesso;
*Blogs. Sempre li que o mais perseguido era o Wordpress. Veredito: Blogspot abriu facilmente, Wordpress demorou (mas abriu) e LiveJournal ficou carregando bastante tempo, mas não abriu (tanto a página principal quanto blogs específicos);
*Redes sociais. O MySpace entrou no mercado local faz pouco tempo, o que pelo menos indica uma boa vontade do governo quanto às redes sociais. Veredito: MySpace abriu rapidamente, Facebook não teve problemas (mas ficou um pouco mais lento). Orkut e Twitter, tranqüilos;
*Google. No dia-a-dia as buscas são controladas. Veredito:As versões norte-americana, brasileira e chinesa abriram. Só não dá para saber se o conteúdo é censurado. Fiz uma busca por “free Tibet” e os sites de apoio à libertação do Tibet foram encontrados normalmente (no Google chinês, inclusive) - só que o site http://www.freetibet.org/ não abriu nem por decreto.
*Outros. Vamos ver como estão os sites essenciais para quem se informa pela web. Veredito: YouTube abriu facilmente e os vídeos carregaram sem dificuldade. Flickr, sites de torrent, revistas e jornais dos EUA também funcionaram;
*Pornografia. Finalmente o que mais interessa, né? Veredito: o Fleshbot (cujo slogan é “sujeira pura”) abriu sem problemas, com fotos e todo o resto. Já o site da Playboy norte-americana ficou bem lento.
A CNN acabou de mostrar uma reportagem dizendo que o acesso dos jornalistas à internet era limitado. Bom, só se for na sala de imprensa oficial dos jogos. No meu hotel está tudo liberado. Por outro lado, rola uma história de que o governo estaria vigiando o acesso feito pelos hóspedes - então se eu for morto, deportado ou preso vocês já sabem que isso é verdade.
[Mais sobre o que eu ando fazendo na China no China in Blog.]
Enviado por Paulo Terron
30/07/2008 - 01:52h
China is pop: nerds em fila em Hong Kong
Hong Kong é um lugar para obsessivos (e é por isso que eu estou gostando tanto daqui!). Aqui você encontra qualquer tipo de celular, por mais moderno que ele seja. Qualquer tipo de bebida, seja ela brasileira, britânica ou japonesa. Tudo o que você puder imaginar de livros e filmes (as academias têm players de DVD na esteira!).
Assim sendo, a notícia que eu li no South China Morning Post fez muito sentido. Na próxima sexta-feira (01) começa a décima Ani-Com Hong Kong, uma mega-feira de action figures, videogames e nerdices em geral (aliás, um Playstation 3 custa menos de US$ 400 aqui). Os 300 primeiros visitantes a chegarem ao Convention and Exhibition Center receberão um passe que dará direito a prioridade na compra de edições limitadas de qualquer coisa que esteja sendo comercializada no evento – de bonequinhos a selos, de quadrinhos a autógrafos.
Quem passar por lá também vai poder testar alguns novos jogos de Xbox 360, como Too Human, Street Fighter IV e Soul Calibur IV. Já consigo até imaginar meu companheiro de iG Pablo Miyazawa salivando…
Enviado por Paulo Terron
27/07/2008 - 21:34h
China is pop: primeiras impressões, Hong Kong
O With Lasers está em um clima diferente: a partir desta semana postarei algumas coisas sobre a China. Cheguei ontem a Lamma Island, em Hong Kong, e ficarei aqui até o dia 31. Depois parto para Pequim. Curiosidade: os aviões da Air France tocam Vampire Weekend nos pousos.
Por enquanto tudo me pareceu muito legal, inclusive um refrigerante local:
É um Watson’s Sarsae. Vou ficar devendo a composição, mas tem gosto de baunilha.
Em Hong Kong só dá o novo Batman.
Isso porque parte do filme do morcegão se passa por aqui, então os locais morrem de orgulho. E como aqui tem Imax, dá para ver tudo em uma tela gigante.
Aliás, Hong Kong é uma mistura de São Paulo com Rio - e um calor infernal!
Enviado por Paulo Terron

















